domingo, 17 de abril de 2011

O atropelamento

Estava lá, ouvindo uma música no celular como todas as manhãs ao mesmo tempo em que olhava pela janela. Não pensava em nada, só deixava a paisagem passar a cada movimento do ônibus.

Percebo um sapato jogado no chão e vem a minha cabeça: “a esbórnia na madrugada foi boa!”. Segundos adiante, noto uma pessoa no chão. A única coisa que meu cérebro captou foi o sangue e o corpo contorcido. Levei poucos instantes para sair daquela sensação de incredulidade. Não é brincadeira? Estou vendo mesmo um corpo estirado no chão? O ônibus, que teve de diminuir a velocidade por conta do trânsito, me fez conviver um tempo a mais com aquela cena. Começei a sentir vontade de chorar, ao mesmo tempo que repelia a imagem, e também um pouco de náusea. Possivelmente não era um simples atropelamento. Ele estava morto.

Passado o nervosismo começei a pensar no ser humano. O que deveria ter sentido? Tinha família? Como somos frágeis!!!!! A imagem martelou na minha cabeça o dia inteiro. Na manhã seguindo, ao abrir o jornal descobri de quem se tratava. Ele era um senhor de 60 anos chamado Manoel. Tinha levado o seu caminhão para a oficina e quando ia atravessar rua para pegar uma condução para casa foi atropelado por um ônibus.

Não é um caso isolado, e nem incomum, mas por algum motivo me sensibilizou.

Dia do jornalista

Escolhi ser jornalista durante a elaboração de um jornalzinho do colégio. Pensei: Nossa, que legal! Gostaria de fazer isso na minha vida! A escolha foi paixão ao primeira pauta. Depois, até o vestibular nunca mais desisti. Confesso que titubiei. Psicologia chamou a minha atenção, mas...


Hoje começo a repensar as minhas escolhas. Semana retrasada, mais especificamente no Dia do Jornalista (07 de abril) além de ler alguns textos sobre a profissão encontrei uma colega da faculdade que disse não ter a mínima vontade de exercer nenhum cargo na área. O que leva alguém a se decepcionar tão fácil? No caso dela foi o dinheiro. Na maioria das vezes sempre é.


Em alguns dias fico realmente de saco cheio. Poxa, gostaria de ganhar mais! Ou então não consigo que o meu texto sobre determinado assessorado saia imprensa (Ah, sou assessora de imprensa!). Outras vezes penso em mudar de área e tentar rádio/TV. Uma nova experiência sempre estimula!


Quando passa a revolta e volto a me entender com o jornalismo, tudo são flores. A paixão reacesnde e ser jornalista é algo gratificande. E realmente é. De alguma forma poder contribuir com o mundo, por meio de informações. Não tem preço. Totalmente utópico, não é? Rsrs... Sem falar que amo escrever, mesmo diante de pressão, sem inspiração ou qualquer coisa parecida.

Fui mais uma que escolheu a profissão por ideológia, que ficou mais entusisamada depois de ler livros de Zuenir Ventura e a biografia de Samuel Wainer, por exemplo. Ideologia que vai morrendo com o cotidiano. No entanto, no final das contas vence as palavras, as realizações e você continua lá diante do computador escrevendo ou criando estratégias de comunicação para o seu assessorado.