Estava lá, ouvindo uma música no celular como todas as manhãs ao mesmo tempo em que olhava pela janela. Não pensava em nada, só deixava a paisagem passar a cada movimento do ônibus.
Percebo um sapato jogado no chão e vem a minha cabeça: “a esbórnia na madrugada foi boa!”. Segundos adiante, noto uma pessoa no chão. A única coisa que meu cérebro captou foi o sangue e o corpo contorcido. Levei poucos instantes para sair daquela sensação de incredulidade. Não é brincadeira? Estou vendo mesmo um corpo estirado no chão? O ônibus, que teve de diminuir a velocidade por conta do trânsito, me fez conviver um tempo a mais com aquela cena. Começei a sentir vontade de chorar, ao mesmo tempo que repelia a imagem, e também um pouco de náusea. Possivelmente não era um simples atropelamento. Ele estava morto.
Passado o nervosismo começei a pensar no ser humano. O que deveria ter sentido? Tinha família? Como somos frágeis!!!!! A imagem martelou na minha cabeça o dia inteiro. Na manhã seguindo, ao abrir o jornal descobri de quem se tratava. Ele era um senhor de 60 anos chamado Manoel. Tinha levado o seu caminhão para a oficina e quando ia atravessar rua para pegar uma condução para casa foi atropelado por um ônibus.
Não é um caso isolado, e nem incomum, mas por algum motivo me sensibilizou.
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